Infelizmente não é muito incomum autores de mangá sumirem completamente da indústria, o que não é tão comum é uma popular mangaká veterana desaparecer do nada das revistas e suas obras serem completamente abandonadas pelas editoras; mas isso aconteceu com a Yôko Matsumoto, uma artista de mangá conhecida por suas obras de terror para revista Nakayoshi.
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| Capa da Nakayoshi, edição especial Nakayoshi Mystery: Horror & Suspense Tokushûgô de dezembro de 1990 |
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| Capa da Nakayoshi, edição especial Nakayoshi Zôkan: Matsumoto Yôko Tokushûgô, de dezembro de 1986 |
A Yôko Matsumoto foi um dos principais nomes da revista
Nakayoshi durante os anos 80 e 90, sua principal associação era com obras de terror, mistério e suspense. Entre 1977 e 1987, 45 de suas obras foram lançadas em formato
tanko, majoritariamente pela Kodansha. Os principais temas abordados por suas obras são assassinato, espíritos e percepção extrassensorial. Ela também fez um certo sucesso no sudeste asiático através de livros publicados em Bahasa no selo
Buku Komik Elex Media Komputindo, que publicou uma quantidade impressionante de mangás shôjo, bastante deles sendo de terror!
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| Seu aniversário é 04/04 (O número do azar no Japão) |
Nesse post vou resumir as 4 histórias de Mamonogatari, não vou falar do conto bônus pois ainda não li ele. Esse volume foi publicado pela Kodansha no selo KC Nakayoshi, com número 766. Essas 4 primeiras histórias foram originalmente publicadas juntas em um suplemento da revista Nakayoshi em março de 1993.
A coletânea abre com ''
Ninjin Daisuki!'' (
Eu Amo Cenoura!), esse conto de 12 páginas é sobre um garoto chamado Takashi, e ele ODEIA cenouras, mas a mãe dele quer que ele coma cenouras, então ele reza e faz um pedido a Deus (com d maiúsculo mesmo), ''
me faça gostar de cenouras!'', e Deus atende o pedido, só que de uma forma bem peculiar, tudo que ele vê que é comestível agora tem aparência de cenoura.
O final do conto foi censurado na Indonésia provavelmente porque o final é surpreendentemente grotesco e chocante para um mangá de terror infantil sobre um problema tão infantil quanto ''eu não gosto de cenoura''. Quase todas as resenhas japonesas sobre esse mangá citam essa história e todos compartilham a experiência de terem sido traumatizados por esse final quando eram crianças. Ótimo conto curto de terror.
O segundo conto se chama ''Saishû Bus'' (O Último Ônibus), nele, Sachiko visita sua amiga Hitomi, que recentemente se mudou para o interior após o suicídio de seu pai e da amante dele, essa visita é feita com o pretexto de falar com uma amiga que fazia falta, mas na verdade a Sachiko é uma filha da puta que quer mesmo é zombar da coitada da Hitomi! Essa visita é apresentada pela perspectiva da Sachiko, que está em um ônibus supostamente assombrado.
O enredo não é nada fora do comum para esse tipo de conto de fantasma japonês, mas a Yôko Matsumoto consegue criar um ótimo suspense e intriga cortando nos momentos certos entre a conversa entre as ''amigas'' e a viagem no ônibus. A Sachiko é o tipo de personagem insuportável que faz você desejar o pior para ela. Não sei se o final entrega mas a maior parte do mangá é ótima de ler.
''FAMILY'' é uma história de terror paranoica sobre uma garota que é assombrada por memórias falsas envolvendo a morte de sua irmãzinha após ela cair da varanda de seu apartamento. É a única história da coletânea que realmente usa elementos de ficção cientifica, o bônus fala sobre OVNIs mas até onde eu sei é na verdade uma história de terror sobrenatural. É uma daquelas histórias que se tornam mais efetivas nos dias atuais onde nós temos que nos preocupar com inteligência artificial e esse medo de ser trocado por robôs.
De novo, Yôko Matsumoto mostra que ela sabe fazer uma obra intrigante e que sabe deixar o leitor ansioso. Eu amo terror que envolve paranoia e esse conto conseguiu me satisfazer perfeitamente.
Em ''
Nori-awaseta Shinigami'' (
Subida com a Morte), uma garota entra em um elevador para entregar o lanche que seu pai esqueceu, após um terremoto que faz com que o elevador pare, uma cartomante declara que a morte em pessoa está junto deles lá dentro, e uma série de assassinatos ocorre dentro da cabine.
Subida com a Morte é o melhor dos contos de
Mamonogatari, um suspense com DNA de
whodunnit, onde uma pequena cabine de elevador vira uma micro Ilha do Soldado. É extremamente curto pra uma história desse tipo, mais ainda assim consegue criar uma tensão fortíssima em apenas 26 páginas. Inverte o formato típico dessa história com uma simples alteração: É o assassino que suspeita dos outros, e são essas suspeitas que são a motivação dos assassinatos.

Mamonogatari não é o melhor mangá de terror de todos os tempos, mas ainda assim é cheio de conteúdo de alta qualidade, tanto em ilustração quanto em enredo. Faz sentido Yôko Matsumoto ter se destacado no mundo dos mangás de terror da Nakayoshi e suas obras terem tido tanto impacto no público. Ela já adaptou contos de romancistas como o Jirô Akagawa, uma das maiores figuras na ficção de mistério no Japão!
Ela sumiu das revistas de mangás após concluir sua série ''Yami wa Tsudou'' (A Escuridão se Agrega) em 1999, a história de publicação dessa série é bastante confusa, mas pelo o que eu entendi: entre 1994 e 1997 foi serializada na Nakayoshi normalmente, com a exceção de dois capítulos que foram lançados em outra revista da Kodansha, Amie, em 1997; esse período 1994-1997 foi publicado em 8 volumes pela Kodansha. Em 1998 nada saiu de Yami wa Tsudou, e a série só voltou em 1999 em um suplemento da Nakayoshi que servia de volume 9 foi lançado, mas até hoje essa parte final nunca foi reimpressa.
Acredito eu que a última reimpressão de um mangá da Matsumoto foi em 2000, a antologia
Nakayoshi: Mystery & Horror Kessakushû, tem pouca informação sobre esse livro, mas reconheço bastante desses nomes, os contos selecionados aqui devem ser ótimos!
Após o fim de
Yami wa Tsudou, acusações de plágio começaram a circular na internet, o que provavelmente influenciou nesse sumiço da autora. Uma ex-assistente da Matsumoto e mangaká de terror icônica Misao Inagaki já descreveu Matsumoto como uma pessoa sensível no
twitter, e que as acusações de plágio provavelmente afetaram ela bastante. A Inagaki tenta defender ela mas fica complicado não ver como plágio quando você vê exemplos como os seguintes:
A maioria dos exemplos que vi são de
Yami wa Tsudou, mas também tem muitas
acusações contra outras obras, e inclusive pessoas dizendo que ela copiou filmes como
Satan's School for Girls e
Por Favor, Matem Minha Mulher. Achei um
blog muito útil com várias páginas sobre o assunto, que é de onde estou tirando a maior parte das evidências de plágio.
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| Basicamente um dossiê. |
É muito triste ver uma mangaká tão talentosa roubar do trabalho alheio e é muito triste ver como esse baita vacilo ter basicamente acabado com a carreira da Matsumoto e ter tornado as obras dela inacessíveis, especialmente porque ela já produziu mangás incríveis e criativos, sem precisar copiar de outras mangakás...
Porem, a história não acaba aqui, supostamente, a artista de mangá erótico que publicou alguns one-shots no início dos anos 2000, Motoko Asô (あそうもとこ) é a Yôko Matsumoto! Não consegui achar fotos dos mangás dela para comparar, então tudo que posso dizer é que apenas rumores...
Infelizmente, nenhuma das obras de Yôko Matsumoto estão disponíveis a venda de forma oficial. Algumas traduções de qualidade duvidosa em inglês circulam na internet e apenas dois capítulos foram traduzidos para o português por fãs. Como nenhuma editora vai querer uma artista com uma reputação que caiu tanto, a chance de lançar algo dela oficialmente é baixa...
Não gosto de terminar meus posts no blog de forma triste mas acho que não tem o que fazer nesse caso. O máximo que consigo dizer é que me interessei na obra ''Mienai Kao'' (A Face Invisível), que aparenta ser inspirada em um livro de Ayatsuji Yukito inspirado pelo filme Suspiria de Dario Argento... eu acho que eu não estou ajudando falando isso..
ATUALIZAÇÃO 17/04/''26:
Descobri hoje que a história Ninjin Daisuki! foi plagiada em um programa de rádio relacionado a um girl group (
CoCo) chamado
CoCo no Hanbun Fushigi Zone, foi adaptada em mangá e ainda recebeu um prêmio na
edição número 22 da revista
Kyôfu no Yakata DX,
Esse não é nem a única vez que um mangá de terror de um artista famosa é plagiado e ainda recebeu um prêmio em uma revista popular!
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